IMD promove inclusão digital e social ao unir pesquisa e extensão

Atuação de alunos em projetos sociais contribui para pesquisas e tecnologias inovadoras
12-01-2026 / ASCOM
Extensão Pesquisa PPGITE ProEIDI
Felipe Araújo

A participação de alunos do Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN) em projetos de caráter social, sobretudo no âmbito do Programa de Pós-graduação em Inovação em Tecnologias Educacionais (PPgITE), tem contribuído para o surgimento de pesquisas científicas aplicadas e tecnologias inovadoras voltadas à acessibilidade e inclusão digital.

Ao longo deste ano, a atuação de estudantes do IMD em iniciativas como o Projeto de Extensão Inclusão Digital para Idosos (ProEIDI) e o Talento Metrópole têm resultado em um aperfeiçoamento tanto para pesquisa como para a extensão universitária, sobretudo no desenvolvimento de novas ferramentas e no aprimoramento do conhecimento científico.

No caso do ProEIDI – ação que há quase dez anos promove ensino de tecnologias para pessoas com mais de 60 anos – um exemplo disso é o da pós-graduanda do PPgITE Cíntia de Oliveira, bem como de quatro alunos do Bacharelado de TI do IMD (BTI).

Ao atuarem no projeto, coordenado pela professora do IMD Isabel Nunes, os estudantes empenham-se na criação de uma plataforma chamada Senior.Code AI, especializada no ensino de programação para idosos, com foco no desenvolvimento de habilidades cognitivas.

Para isso, o sistema, premiado nacionalmente na competição Apps.Edu, reúne ambiente teórico, espaço de programação e um sistema de aprendizado com feedback automático baseado em Inteligência Artificial (IA).

Premiação do Senior.Code.AI no Congresso Brasileiro de Informática na Educação da SBC (CBIE)

Atualmente, o estudo encontra-se na fase de implementação da primeira etapa da solução – na qual os participantes trabalham com a geração de exercícios por IA contextualizados para idosos e baseados nos pilares de pensamento computacional.

Segundo Cíntia de Oliveira, o desenvolvimento do Senior.Code AI é possível graças à “experiência e interação com o ProEIDI, que, ao longo de anos, nos ajuda a identificar oportunidades de melhorias e avançar na construção de soluções e métodos de ensino e aprendizagem da pessoa idosa”.

Altas habilidades

Outro exemplo é o trabalho de mestrado de Stella Layse Brito, que estudou a aplicação da abordagem STEAM – acrônimo em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática – para o desenvolvimento pessoal de estudantes com altas habilidades do programa Talento Metrópole, iniciativa do IMD especializada em jovens com altas habilidades/ superdotação.

Esse estudo investiga como atividades interdisciplinares mediadas por STEAM podem promover competências socioemocionais – como colaboração, comunicação e trabalho em equipe – em alunos superdotados do Talento. A relevância do trabalho se dá especialmente pelo fato de que pessoas com altas habilidades podem apresentar dificuldades de socialização, desafios no trabalho coletivo e lacunas no desenvolvimento socioemocional, apesar do alto desempenho cognitivo.

Alunos do Talento Metrópole participam de atividades diversas, inclusive pesquisas e oficinas de robótica

 

Desse modo, o objetivo é, ao integrar diferentes áreas do conhecimento por meio da STEAM, levantar habilidades socioemocionais que podem ser exploradas a partir da abordagem, além de desenvolver um guia didático para orientar professores sobre o tema. O trabalho acadêmico chegou a ser apresentado em Orlando (EUA) no início deste ano e foi concluído em 2024, na UFRN.

Pesquisa e extensão

Segundo a professora Isabel Nunes, docente do IMD e coordenadora do ProEIDI, pesquisa, extensão e ensino andam juntos e os projetos são uma oportunidade para receber iniciativas e estudos em diferentes áreas do conhecimento.

“A integração entre pesquisa e extensão é essencial. Aplicar o que é estudado, saindo do âmbito puramente acadêmico e utilizando no dia a dia real, é uma forma de validar hipóteses, receber novos insights, acolher críticas e também perceber novos campos a serem estudados”, avalia Nunes.

No caso do ProEIDI, além do Senior.Code AI, a ação hoje auxilia outras pesquisas, como um estudo de mestrado que investiga a inserção do público idoso negro em projetos de inovação e outro que aborda a criação de um ambiente Moodle para pessoas com mais de 60 anos estudarem a distância.

Tecnologias Educacionais

O coordenador do PPgITE, professor Dennys Maia, avalia que diversas ações do programa – como o Esteamulab, espaço voltado a projetos que estimulam a criatividade e a inovação em contextos educacionais por meio da STEAM – ampliam o alcance social da pesquisa e fortalecem o caráter profissional da pós-graduação.

Espaço do Esteamulab é equipado com tecnologias como impressoras 3D e cortadoras a laser

 

“Eu vejo que essa integração é uma vocação do PPgITE, sobretudo por sermos um programa profissional. As pesquisas dos nossos estudantes dialogam com seus espaços de atuação e levam soluções para a sociedade. No Esteamulab, por exemplo, formamos professores e licenciandos que futuramente vão multiplicar essas práticas em suas escolas. Isso potencializa o impacto das tecnologias educacionais que desenvolvemos”, afirma.

Ainda segundo o professor, a extensão universitária funciona como um vetor para ampliar a circulação das soluções produzidas no Programa.

“Quando realizamos oficinas, cursos e formações, trazemos a sociedade para dentro da universidade e levamos o que produzimos para ser testado e socializado. Isso é essencial para que as tecnologias educacionais cheguem de fato às pessoas”, completa.