Docente convidado do IMD tem estudo sobre câncer destacado em revista
Shantanu Gupta, do BioME, fala sobre pesquisa em entrevista à publicação internacional Proteomes
19-05-2026 / ASCOM
Após publicar um artigo científico sobre mecanismos celulares ligados à resistência a tratamentos contra o câncer, o professor convidado do Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN) Shantanu Gupta foi destaque em uma entrevista concedida à revista Proteomes. O periódico é voltado à divulgação de pesquisas nas áreas de proteômica, bioinformática e biologia molecular.
Publicada no último mês, a entrevista abordou diferentes aspectos da trajetória acadêmica do pesquisador, incluindo sua atuação em bioinformática, os desafios atuais da pesquisa em oncologia e os impactos do estudo desenvolvido em parceria com cientistas brasileiros.
Durante a conversa, Gupta também comentou perspectivas futuras para a chamada oncologia de precisão – tratamentos personalizados a partir das características genéticas e moleculares de cada paciente –, além de compartilhar orientações voltadas a jovens pesquisadores interessados na carreira científica.
Atualmente, o docente integra o Centro Multiusuário de Bioinformática (BioME/IMD), reconhecido nacional e internacionalmente pela atuação em bioinformática e biologia computacional. O centro reúne pesquisadores de diferentes áreas e já desenvolveu dezenas de trabalhos de relevância internacional, além de promover eventos acadêmicos com participantes de diversas regiões do Brasil e do exterior.
A entrevista na íntegra pode ser conferida neste link.
Artigo
Intitulado DNA Damage-Induced Ferroptosis: A Boolean Model Regulating p53 and Non-Coding RNAs in Drug Resistance, o artigo publicado na Proteomes em 2025 foi desenvolvido em colaboração com os pesquisadores Daner Silveira, José Carlos Mombach e Ronaldo Hashimoto.
O estudo investiga como células cancerígenas conseguem sobreviver a tratamentos terapêuticos por meio de mecanismos biológicos relacionados à resistência medicamentosa.
Para isso, os pesquisadores utilizaram um modelo computacional do tipo “rede booleana” e teve foco na ferroptose – um tipo específico de morte celular regulada –, buscando compreender de que forma células tumorais conseguem evitar esse processo e continuar se desenvolvendo mesmo após as intervenções terapêuticas.
Segundo Gupta, o diferencial da pesquisa está na adoção de uma abordagem sistêmica para compreender decisões celulares complexas. A proposta do modelo é oferecer novas possibilidades para o entendimento da resistência tumoral e contribuir futuramente para estratégias mais eficazes no tratamento do câncer.
Desafios
Na entrevista, Shantanu Gupta também destacou que um dos principais desafios dessa área de investigação está na heterogeneidade dos tumores, já que diferentes pacientes (e até diferentes regiões de um mesmo tumor) podem responder de formas distintas aos tratamentos.
Nesse contexto, ele aponta que o futuro da pesquisa em bioinformática aplicada à oncologia está na construção de modelos computacionais personalizados, capazes de integrar dados moleculares e informações clínicas específicas de cada paciente.
O estudo contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).