Projeto de inclusão digital para idosos comemorará 10 anos com oficinas gratuitas

Iniciativa que já formou mais de 3 mil pessoas oferecerá oficinas de IA e segurança digital
29-10-2026 / ASCOM
Evento Inclusão Digital ProEIDI
Felipe Araújo

O Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN) promoverá, de 3 a 5 de novembro, uma programação gratuita e aberta à comunidade em comemoração aos 10 anos do Projeto de Extensão Inclusão Digital para Idosos (ProEIDI), iniciativa social que já formou mais de 3 mil pessoas idosas no Rio Grande do Norte.

Com palestras e oficinas sobre Inteligência Artificial (IA), segurança digital e ferramentas de criação e design, a programação reunirá profissionais, palestrantes e membros da comunidade acadêmica para três dias de atividades que visam celebrar os marcos do projeto e também abordar temas de relevância que permeiam a inclusão digital hoje em dia.

O evento começa na terça-feira (3), às 14h, com uma mesa de abertura e uma palestra de Marília Duque – pesquisadora e co-líder de nova longevidade na Ashoka – que abordará inclusão digital como transformação social. No segundo dia, o encontro sediará uma palestra sobre IA e longevidade mais conectada e saudável, seguida de oficinas práticas sobre o uso da tecnologia no cotidiano e a prevenção de golpes digitais.

Neste dia, o encontro contará com a participação dos pesquisadores Letícia Sophia Rocha Machado (UFRGS), Sílvio César Cazella (UFCSPA) e Carla Sigal (UFRGS).

Já no último dia, os participantes poderão aprender a utilizar ou aprofundar suas habilidades no aplicativo Canva pelo celular, em uma oficina prática. Todas as atividades serão realizadas no auditório B205 do IMD e são gratuitas e abertas a todos os públicos.

Para a professora do IMD Isabel Dillmann Nunes, coordenadora do ProEIDI, a expectativa é apresentar os resultados alcançados pelo projeto e mostrar como a extensão universitária também pode contribuir para a pesquisa.

“A ideia do evento é uma bela comemoração desses dez anos, trazendo tudo que ele alcançou”, explica. Ela também destaca a importância de ampliar a conscientização sobre a educação digital e midiática para um público muitas vezes deixado de lado na sociedade.

Inclusão digital

O ProEIDI surgiu a partir de uma proposta de duas estudantes do Bacharelado em Tecnologia da Informação (BTI), elaborada durante a disciplina de TI e Sociedade. A iniciativa, inicialmente desenvolvida como trabalho acadêmico, foi transformada em projeto de extensão em 2016. As primeiras turmas reuniam cerca de 14 a 16 participantes cada, em encontros aos sábados, com foco no uso de smartphones.

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Ao longo dos anos, as modalidades de formação foram ampliadas conforme as necessidades apresentadas pelos próprios alunos. Atualmente, o projeto oferece cursos de smartphone básico e avançado, computador, pensamento computacional e IA, além de atividades voltadas ao mundo do trabalho.

A proposta é promover não apenas o domínio de ferramentas digitais, mas também o desenvolvimento de habilidades cognitivas e a autonomia dos participantes.

Segundo Isabel Nunes, a evolução dos cursos acompanhou as mudanças nas demandas das pessoas idosas, que passaram a buscar conhecimentos para além do uso cotidiano do celular. O projeto também conquistou reconhecimento fora da universidade: recebeu chancela da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) e inspirou a iniciativa Conecta Idade, voltada à disseminação da inclusão digital de pessoas idosas no país.

Pesquisa acadêmica

A atuação do ProEIDI também se estende à pesquisa acadêmica. Entre os trabalhos desenvolvidos está a plataforma Senior.Code AI, voltada ao ensino de programação para pessoas idosas com apoio de IA, que conquistou o primeiro lugar na categoria de melhor protótipo no Congresso Brasileiro de Informática na Educação em 2025.

Já em 2026, um artigo sobre a metodologia de ensino de IA para esse público também foi reconhecido como um dos destaques do congresso. O ProEIDI participa, ainda, de pesquisas sobre educação a distância, formação antirracista e inclusão de pessoas idosas no ambiente digital.

Clara Macedo, bolsista do ProEIDI, conta que a vivência de aproximadamente três anos na iniciativa fortaleceu habilidades de comunicação e empatia, além de mostrar que a iniciativa vai além do ensino de ferramentas digitais.“O ProEIDI é uma via de mão dupla: ele transforma a vida dos alunos idosos, mas também molda o caráter e a formação de nós, estudantes”, afirma.

Outra bolsista, Isabele Ferreira, que atua há quatro semestres como professora no projeto, também destaca os aprendizados proporcionados pelo contato com os participantes. Segundo ela, ouvir relatos sobre os impactos dos conhecimentos compartilhados reforça a importância da integração entre tecnologia e sociedade.

“Durante meu tempo no projeto, meus alunos me ensinaram muito sobre respeito, comunicação, empatia e sobre como é importante simplesmente enxergar o outro”, relata Ferreira.

Para o diretor do IMD, professor Ivonildo Rêgo, o ProEIDI representa a dimensão social da atuação do Instituto. “O encontro de gerações talvez seja uma das maiores riquezas do projeto. De um lado, pessoas idosas descobrindo novas possibilidades em um mundo cada vez mais digital; de outro, jovens da área de tecnologia descobrindo que inovação não é apenas desenvolver novas ferramentas, mas também fazer com que seus benefícios cheguem às pessoas”, afirma.

Segundo ele, o projeto é uma das ações que melhor traduzem a dimensão social e tecnológica do IMD. “Celebrar seus dez anos é celebrar uma Universidade que produz conhecimento, desenvolve tecnologia e, sobretudo, coloca esse conhecimento e essa tecnologia a serviço da sociedade”, comenta.

Mais informações sobre o ProEIDI e a programação comemorativa de seus dez anos podem ser conferidas no perfil do projeto no Instagram.